O caso de um adolescente de 15 anos apreendido em Timon, no Maranhão, após expor maus-tratos contra gatos em uma transmissão ao vivo na plataforma Discord , foi identificado pela Polícia Civil de São Paulo. A operação teve apoio das forças de segurança do Maranhão e revelou mais um exemplo de como crimes digitais podem envolver vítimas e suspeitos de diferentes estados.
Segundo a polícia, os sistemas de investigação são integrados e, na maioria dos casos envolvendo crimes digitais, o agressor e a vítima estão em locais diferentes. Em março deste ano, uma investigação conjunta entre as polícias do Maranhão, Pará e São Paulo ajudou uma adolescente de 15 anos, em São Luís, que era vítima de ameaças feitas por um homem preso em Belém.
De acordo com o superintendente da Superintendência Estadual de Investigações Criminais do Maranhão (Seic), Guilherme Campelo, o suspeito tinha 20 anos e utilizava um perfil falso para se passar por adolescente. Após conseguir fotos íntimas da vítima pelo TikTok, ele passou a fazer ameaças e obrigá-la a praticar maus-tratos contra o gato da família, com a transmissão das ações pela internet.
"O que nós temos aqui no âmbito da Seic é o Departamento de Combate a Crimes Cibernéticos, que trabalha em rede com o nosso Cyberlab, que é o laboratório de investigação cibernética que fica dentro da nossa inteligência da Polícia Civil, e também faz parte de todo um trabalho que o Ministério da Justiça possui, com um laboratório também voltado à investigação cibernética para a troca de informações", afirmou.
O superintendente explicou que a atuação dos investigadores depende de uma articulação entre diferentes órgãos, já que muitas das plataformas usadas para a prática dos crimes estão hospedadas fora do Brasil. Segundo ele, a cooperação internacional é necessária para localizar informações e interromper situações de violência praticadas no ambiente virtual.
"Uma vez que essas plataformas onde ocorrem essas interações, infelizmente, às vezes são utilizadas para a prática de crime, estão em sua maioria fora do território nacional, isso demanda, além dessa atuação em rede, uma interlocução com outros países, o que é feito através do Ministério da Justiça com o Cyberlab nacional situado em Brasília", explicou.
Ainda segundo Guilherme Campelo, a investigação busca identificar rapidamente situações de risco e retirar vítimas de ambientes digitais usados para ameaças, manipulação e incentivo à violência. "Essa interlocução com as plataformas ocorre dessa maneira para que se possa fazer essa busca ativa, trabalhar essas informações e tirar pessoas dessa situação de escravidão virtual, como a gente observa em casos de automutilação, de pessoas obrigadas a praticar maus-tratos contra animais ou até de incentivo a atos de violência nesses grupos extremistas, neonazistas, xenofóbicos, que incentivam delitos dessa natureza", completou.
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam aumento nos registros de crimes digitais envolvendo crianças e adolescentes no Maranhão entre 2024 e 2025. Os casos de cyberbullying contra crianças e adolescentes passaram de seis registros, em 2024, para 20, em 2025.
Entre adolescentes de 14 a 17 anos, os números subiram de três para 12 casos no mesmo período.
Redação Quero Notícias do Maranhão, com informações de Imirante.
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