Impactos climáticos ameaçam a saúde pública e sobrecarregam o SUS.
O El Niño é um fenômeno climático natural que se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o que resulta em mudanças de ventos e chuvas em todo o mundo. O plano destaca que os impactos sobre a saúde humana devido às mudanças do clima se tornam cada vez mais evidentes.
“O principal risco para a saúde e para os serviços de saúde relacionados à mudança do clima é o potencial de aumento da ocorrência de doenças (morbidade), de óbitos (mortalidade), e de ampliação da demanda pelos serviços de saúde”, explicita o plano de adaptação.
O documento foi apresentado pelo Ministério da Saúde, na quarta-feira (26), durante a 7ª Assembleia do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), em Brasília. O Ministério da Saúde destaca que as situações de mudanças climáticas exigem respostas integradas, sensíveis às desigualdades e orientadas pela justiça climática e equidade, uma vez que as comunidades em situação de vulnerabilidade socioambiental, especialmente aquelas com menor acesso a serviços de saúde, são desproporcionalmente mais afetadas.
O entendimento é que é preciso compreender como fatores socioeconômicos, políticas públicas desiguais e comportamentos culturais influenciam as condições de saúde para, então, adotar as medidas eficazes para a redução das desigualdades.
O Plano Setorial de Saúde - AdaptaSUS tem a missão de estabelecer estratégias de adaptação na esfera federal de gestão do SUS para reduzir os impactos da mudança do clima na saúde das pessoas e nos serviços de saúde e definir diretrizes para orientar a atuação de estados e estadual e municípios.
A preparação para os possíveis impactos do fenômeno está organizada em cinco eixos: Governança federativa, com Sala de Situação de Emergências Climáticas; Governança interna, por meio da Sala de Situação Saúde e Clima; Recursos e kits emergenciais de assistência farmacêutica; Atuação da Força Nacional do SUS (FN-SUS), com bases regionais capazes de deslocar equipes em até 48 horas; Organização de serviços e protocolos técnicos de acordo com as características de cada bioma.
No médio prazo, o Plano Setorial de Saúde – AdaptaSUS estabelece 27 metas e 93 ações até 2035. Entre as ações relacionadas à segurança hídrica em áreas sujeitas à seca e à estiagem, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) contratou 18,8 mil cisternas, em 397 municípios de sete estados, com aporte de R$ 226,6 milhões destinado a unidades de melhoria sanitária.
Entre as ferramentas utilizadas para o monitoramento do clima estão o Painel Nacional de Excesso de Calor, o Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos (VigiAR) e o GeoRisk do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O AdaptaSUS ainda conta com os Centros de Informação em Saúde e Clima (Cisc), projeto-piloto desenvolvido em oito cidades das cinco regiões do país. A estratégia também prevê a integração dos sistemas oficiais do Ministério da Saúde usados para detecção precoce, registro, monitoramento e investigação de surtos e outros problemas de saúde pública no Brasil (e-SUS Notifica, Sivep-Gripe e Sinan).
Na Amazônia, a preparação considera ainda a organização da rede de atenção e a estrutura disponível para atendimento às populações em áreas de difícil acesso, incluindo equipes de saúde e Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF).
O planejamento define que o Ministério da Saúde também institua um painel de especialistas em clima e saúde, com a função de subsidiar tecnicamente as decisões relacionadas à preparação e à resposta aos impactos dos eventos climáticos.
Redação Quero Notícias do Maranhão, com informações de Imirante.
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar esta notícia.