A vida e o legado de Maria Firmina dos Reis, pioneira na literatura e na educação no Maranhão, ganham novo destaque com o lançamento de 'Maria Firmina, a mestra da liberdade'. A jornalista Andréa Oliveira reconta a história da autora de 'Úrsula', primeiro romance abolicionista brasileiro, em evento marcado para 12 de setembro em São Luís.
Nascida em 1825, Maria Firmina dos Reis enfrentou o racismo e o machismo do século XIX através da educação e da escrita. Neta de uma mulher escravizada trazida à força da África, cresceu em família matriarcal e, sem acesso formal ao ensino, tornou-se autodidata.
Em 1847, fez história como a primeira mulher aprovada em concurso público no Maranhão para o cargo de professora. Anos depois, fundou uma escola mista — iniciativa revolucionária para a época que recebia crianças de todas as classes sociais.
Seu romance 'Úrsula', publicado em 1859, é considerado marco na literatura brasileira por trazer protagonistas negros e denunciar a escravidão, sendo também a primeira obra de ficção publicada por uma pessoa negra no país.
O livro de Andréa Oliveira apresenta a trajetória de forma romanceada e acessível, acompanhada de documentos históricos como reproduções fac-símiles da primeira edição de 'Úrsula' e jornais maranhenses do período pós-abolição.
As ilustrações são de Mitti Mendonça, artista gaúcha cuja produção é marcada pela ancestralidade africana. A capa faz referência ao apagamento histórico sofrido por Maria Firmina — não se conhece nenhuma imagem autêntica de seu rosto.
O design propõe uma reconstrução simbólica de sua figura a partir de seu legado intelectual e educacional. O lançamento acontece às 16h do dia 12 de setembro, na Livraria Leitura do Shopping São Luís, com mediação da arte-educadora Betânia Pinheiro, seguida de sessão de autógrafos.
Por que isso importa
Maria Firmina dos Reis é símbolo da resistência intelectual negra no Maranhão. Sua obra e atuação como educadora abriram caminhos para gerações seguintes, tornando-se referência no debate sobre representatividade na literatura e educação brasileiras.
Redação Quero Notícias do Maranhão, com informações de Imirante.
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